Setembro Amarelo também é espaço para abordar depressão pós-parto

No Setembro Amarelo, campanha dedicada à prevenção do suicídio, a saúde mental ganha destaque em todo o país. Entre os temas que precisam de mais visibilidade está a depressão pós-parto, condição que vai além do conhecido baby blues e que pode trazer consequências sérias para a mãe e o bebê. No Hospital São Sebastião Mártir (HSSM), a atenção ao tema é constante, envolvendo uma equipe multiprofissional preparada para identificar sinais de alerta e acolher as pacientes.

Conforme explica a enfermeira obstetra Camila de Moura, é essencial diferenciar a tristeza passageira, comum nas primeiras duas semanas após o parto, da depressão pós-parto, que é mais duradoura e intensa. Nesse sentido, a enfermeira Gabrielle De Bem lembra que sinais como desânimo, falta de vínculo com o bebê e dificuldade em realizar os cuidados básicos precisam ser observados de perto. “Muitas vezes não temos contato prolongado com a gestante durante o pré-natal, por isso os gatilhos que aparecem no hospital são fundamentais para que possamos encaminhar a paciente para acompanhamento especializado”, reforça.

Além da atuação clínica, o apoio familiar tem papel decisivo nesse processo. Para Gabrielle, a presença de um acompanhante que transmita segurança é essencial para que a mulher consiga enfrentar as mudanças do puerpério. “Rede de apoio salva, acolhe e transforma. É preciso que a família saiba identificar sinais de tristeza que fogem do normal e busque ajuda, sem julgamentos”, destaca.

Camila salienta que o HSSM conta com integração entre enfermagem, psicologia, assistência social e rede municipal de saúde, garantindo encaminhamento para avaliação psicológica e continuidade no cuidado após a alta. Além disso, segundo ela, a casa de saúde também prepara materiais informativos para orientar famílias e acompanhantes sobre como agir diante de possíveis sintomas.

Falar sobre depressão pós-parto é, de acordo com as profissionais, uma forma de prevenir agravamentos, ampliar a rede de apoio e salvar vidas. “Quando cuidamos da mãe, cuidamos também do bebê e da família. Buscar ajuda nunca é sinal de fraqueza; pelo contrário, é o primeiro passo para o tratamento e para que essa mulher não se sinta sozinha nesse momento”, pondera Camila. Ainda conforme Gabrielle, nos casos de sintomas intensos ou mesmo diante da desconfiança, a recomendação é que a mulher e os familiares procurem auxílio na rede municipal de saúde, seja no posto de referência ou no Centro Especializado de Atendimento Materno Infantil (Cemai).

Rede integrada do Hospital São Sebastião Mártir atua para acolher e auxiliar pacientes | Imagem: Envato/Reprodução